Quinta-feira, Janeiro 13, 2005
[ "- Ele é um cultista!!" ]
uma pequena explicação sobre os RPGs
Eu não poderia escolher um tema melhor para explicar do que esse, afinal eu jogo RPG e gostaria de mostrar o meu ponto de vista. RPG significa Role Playing Game, ou Jogo de Interpretação de Papéis. O objetivo principal do jogo é se divertir, e a forma usada para isso é imitando pessoas. Não é nada muito além disso.
Irei fazer uma comparação para explicar o que acontece no Jogo de RPG. Numa novela, um pequeno grupo de atores fazem o elenco; e o diretor da novela cria a história, tramas e conflitos. Tudo é preparado de ante-mão, e os atores devem interpretar os seus papéis fielmente, tornando a novela mais interessante.
Num jogo de RPG, os jogadores fazem o papel de protagonistas numa história criada por um jogador especial, chamado normalmente de Mestre. Assim, os jogadores podem ser encarados como atores, e o Mestre pode ser encarado como diretor. No entanto, há uma diferença fundamental do jogo para a novela: no jogo, as ações são feitas por livre-arbítrio, e não seguindo um roteiro. A história se desenrola conforme o jogo continua.
O Mestre deve fazer o papel de
todos os outros personagens da história. Caso os personagens dos jogadores tentem conversar com uma pessoa que encontraram na rua, essa pessoa é interpretada pelo Mestre. O Mestre também deve mostrar as consequências das ações dos personagens dos jogadores. Digamos que a conversa dos personagens com a pessoa que encontraram acabe chegando num mal entendido. Provavelmente a pessoa não irá gostar dos personagens e poderá até lhes fazer algum mal; mas a conversa pode ser amigável, e eles poderiam ganhar um valioso aliado.
Talvez o foco do preconceito está na má conduta que alguns jogadores apresentam enquanto jogam RPG. Vamos supor um grupo de amigos que resolve jogar no meio do Shopping (na praça de alimentação, por exemplo). Um dos jogadores, para interpretar o seu personagem, levanta e grita em voz alta: "- Eu ataco aquela criatura com a minha espada! Ahhh!!". A reação mais normal de quem nunca ouviu falar de RPG seria de medo e insegurança, e eu não posso culpar ninguém disso. Para evitar situações como essas, o jogador poderia ter muito bem ter falado em tom normal, ou então o grupo poderia jogar num lugar mais adequado.
Casos mais sérios acontecem quando uma pessoa não sabe diferenciar a fantasia da realidade, achando que o jogo é a vida real, e acaba agindo como seu personagem até fora das partidas (quando são realizadas as interpretações). O problema é quando as pessoas acham que RPG faz
todos os jogadores se tornarem exatamente como seus personagens, devido à
incidentes como o ocorrido em Ouro Preto; generalizando e rotulando os jogadores de loucos, cultistas ou qualquer coisa que estejam interpretando. Se isso fosse verdade, os atores também agiriam como seus personagens! Não posso imaginar o que aconteceria se Rodrigo Santoro acreditasse que ele era
Lady Di, o seu personagem em Carandiru, o tempo todo... por isso é aconselhado que pessoas com distúrbios de comportamento não joguem RPG. (Graças à Deus que Rodrigo não tem distúbios...)
Basicamente, RPG é isso. Eu poderia me estender e dar inúmeros exemplos para ilustrar melhor o jogo, mas a mensagem inicial foi passada. Talvez futuramente, eu faça matérias adicionais explicando outros detalhes do RPG. Portanto, da próxima vez que você ver um grupo de pessoas andando de roupas escuras, carregando livros estranhos e dizendo coisas estranhas, você pode se tranquilizar pois eles são bem mais inofensivos do que assaltantes, sequestradores e criminosos em geral!
postado por Anderson, o inconformado; às 11:33 PM.
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